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A Timidez

“A timidez é uma reação de fuga que atinge todas as pessoas – timidez e medo de rejeição estão interligados _ O tímido tem menos determinação do que o necessário – a relação entre pais e filhos é determinante no desenvolvimento da timidez”. Eduardo Mascarenhas (Psicanalista)

A timidez tem sido um eno
rme obstáculo na vida daqueles que são acometidos por ela, dificultando o crescimento pessoal e profissional, principalmente para os jovens, que deveriam desfrutar de uma vida plena. 

A pessoa que sofre de timidez não consegue ser espontânea. A inteligência e a graciosidade declinam objetivamente. 

Timidez não é um medo qualquer, é gente com medo de gente. É estar diante de pessoas, com medo de não ser aceito. De ter seu prestígio colocado à prova . É não ter confiança em si próprio; é como se sentisse “a alma abandonando o corpo”. Um medo inexplicável acompanhado de algumas alterações fisiológicas, como aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos, suor, tremor e palidez, que denunciam um descontrole emocional total. Em outras palavras, é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime (ou exprime pouco) os pensamentos e sentimentos, e não interage ativamente.

O tímido não consegue, a princípio, criar grandes expectativas para o seu futuro, pois imagina que para isso precisará estar junto de pessoas estranhas; e a timidez se manifesta muito mais forte diante de estranhos por uma razão óbvia: não se conhece o outro e não há como saber como o receberá. Daí o medo do novo, das situações ainda não suficientemente conhecidas. 

A timidez nos coloca “desarmados”, e se pudéssemos agir como crianças, sairíamos correndo para casa ou para o colo da mãe, onde encontraríamos refúgio. Como não podemos, por não sermos mais crianças, ficamos ali diante do medo, desesperados, rígidos, sem ação, sem palavras, prestes a sermos “atacados”, isso porque não estamos ali por inteiro. 

O tímido leva uma vida muito limitada em suas relações sociais, e atividades como falar em público, por exemplo, coloca-o diretamente diante do perigo, com uma possibilidade imensa de expor seus fracassos diante de muita gente, e isso o apavora! E nessa hora, pensa pequeno, sente pequeno, age pequeno. Sua vulnerabilidade às frustrações é espantosa; quando consegue alguma coragem para agir, faz de forma ansiosa e precipitada, pondo tudo a perder por não ter o controle da situação. E por isso, sofre ainda mais. 

A onda do “ficar” para o tímido chega a ser desastrosa, pois precisará estar repetidas vezes diante de alguém desconhecido, por isso ele rejeita; e assim, por medo de arriscar uma paquera, custa muito a se envolver afetivamente com alguém; a menos que esse alguém invista no relacionamento.

Os males da timidez são inúmeros. Pessoas tímidas dão, sim, muita importância ao que os outros falam e pensam a seu respeito. Por mais que se possa negar isso, lá no fundo, a questão é bem essa: medo de não ser aceito, medo de receber críticas, enfim, medo de ser você mesmo. Perdemos muitas oportunidades, deixamos de aproveitar muitas coisas boas, deixamos de viver experiências fascinantes por medo do que vão pensar de nós…Bobagem!

A seguir estão relacionadas algumas razões para o surgimento da timidez (segundo pesquisa da Psicóloga Adriana Araújo):

• Baixo auto-estima - a criança ou o adolescente estima, deseja, quer coisas diferentes do que ela pode realizar, deixando de dar valor a tudo o que é e o que possui. Atribui ao outro uma importância maior. Deixa de governar a si próprio e passa a viver a mercê de idéias fantasiosas de um outro que pune, é rígido e severo. Cada criança possui suas peculiaridades, diferenças, semelhanças e acima de tudo: é única. Não há valor maior que esse;

• Vergonha – a idéia de um "defeito" no ser é a percepção de que há algo errado, de que alguma coisa não está certa e que todos vão reparar, achar graça ou se ofender com aquele comportamento. A criança envergonhada tem vontade de esquecer o que aconteceu, de se esconder, desaparecer e até mesmo sumir. Se pudesse voltar atrás e corrigir aquilo que elas julgam errado, fariam com toda a certeza. Esta forma de pensar leva ao isolamento. Quando a criança está sozinha ou próxima de pessoas que confia, sente-se protegida, pois não há crítica de outros e não há ninguém que possa reclamar ou mesmo corrigir tais erros. A maior falta existente não está no erro cometido, mas na incapacidade de corrigi-lo;

• A crítica e a rigidez consigo mesmo, o medo de errar e o perfeccionismo
- pensamentos de inadequação, achar-se diferente, querer acertar sempre. Pessoas tímidas perdem excelentes oportunidades de aprender a conviver com as demais por medo de se expor, trocar idéias e experiências. "É só errando que se aprende...". Criticar a si próprio é uma qualidade que, fora da medida e em excesso, deixa de ser algo bom, pois saber criticar e poder corrigir a si próprio é um sinal de maturidade, em todas as idades;

• À agressão
- a timidez pode vir dissimulada através de comportamentos agressivos, geralmente expressos pelo adolescente. Momentos de raiva ou até mesmo de indiferença mantêm as outras pessoas à distância, evitando o contato, que para as pessoas tímidas se torna terrivelmente ameaçador.E , o que fazer?

Como já sabemos, a timidez é causada por diversos fatores, um deles pode ser o desconforto com o próprio corpo. Ao não gostar de uma parte do corpo (ou todas elas!), a pessoa faz absolutamente de tudo para evitar que os outros a enxerguem: fica quieta, senta sempre no fundo de uma sala ou palestra, rezando para que ninguém a note. E o tratamento varia de pessoa para pessoa. Na verdade, não existe uma cura propriamente dita, mas sim descobrir as causas que levam uma pessoa a ser tímida e trabalhar em cima disso.

Listar as maiores dificuldades, é um bom começo: falar com alguém que não conhecia e expor a sua opinião de forma voluntária, ou criar alguma coisa só sua. Começar a vencer os medos, enfrentando-os . Mas, posso adiantar que isso não é tarefa fácil, geralmente, não se consegue isso sozinho. A terapia pode muito nessas situações, pois vai ajudar a desenvolver a autoconfiança. Aos poucos, as coisas vão fluindo. Quando se quer uma coisa e se trabalha para isso, os resultados aparecem. 

Não podemos nos trancar na tristeza e no isolamento. Não é assim que se resolvem os problemas. E como no poema Faxina na Alma de Carlos Drumond de Andrade: “Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis, o mal humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga”.

Pense nisso! Até a próxima

DrŠ Laura Ferreira
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